Hoje apenas ficaria bem se pudesse deixar de lado, na prateleira mais longe, todos os ses e todos os mas.
Tenho-me sentido presa por não conseguir obter resposta a nenhum dos porquês que, inevitavelmente, me aprazem, embora num tom deveras irónico, e que ao mesmo tempo estão como que a amordaçar-me.
Tu sem culpa nenhuma, acabas por padecer de todas estas dúvidas. Talvez sim, talvez não. Não fosse esta tão subtil incerteza e esta tão perplexa forma de me afeiçoar.
Começo a transbordar de pensamentos, de sentidos, de sensações. Começo a transbordar de ti. Mas não é o que quero.
Eu quero transbordar de mim, e poder colocar tudo no teu horizonte. Paralelo a ti.
Esgotam-se, de forma eficaz, as capacidades de me tornar opaca. Sinto-me a transparecer, cada vez mais. Neste momento o meu campo das sinergias está, simplesmente, desregulado. Chega!
Escuta! Hoje, quero-te! Sem tretas. Sem rodeios. Sem ses. Sem mas. Sem porquês. Quero-te sem saber nada disso. Sem causa. Sem efeito. Sem sons. Sem vozes. Sem motivo. Sem desejo. Simplesmente te quero. De braços abertos. E no maior silêncio que me conseguires receber.
Hoje, quero-te, apenas nos meus olhos. E conseguir olhar-te seria o fim de tudo, porque aí sim, ficaria, inequivocamente, transparente de mim... E aí tu serias capaz de ver tudo, ao mais ínfimo pormenor. Acabarias por entender, sem eu ter de proferir qualquer palavra que fosse. Resumindo-se no final, ao que sou. Ao que sou, neste momento, por ti. Resumindo-se no final ao que fizeste de mim.
Hoje quero-te e só faltam cinquenta e três minutos para acabar o dia.
Olha... Hoje, queria-te!
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